O ano começou com a luz amarela para o mercado imobiliário? Existe uma crise se instalando no Brasil? O que fazer com investimentos no setor?
Essas e outras perguntas foram feitas quando na 1ª edição do ano da revista exame (publicação da editora Abril) que tratava de investimentos para 2012 não saiu nenhuma linha sobre o setor, porém o periódico dedicou sua 2ª edição para falar apenas sobre o assunto, o setor imobiliário e suas expectativas a partir de 2012.
Com uma chamada de capa que agrada em especial os céticos do setor: IMOVEL, UM MERCADO SOB SUSPEITA, mas um conteúdo que agrada e muito à consumidores atentos, investidores, incorporadores e construtores. A edição 1.010 da Exame mostrou que o mercado imobiliário, o terceiro setor que mais contribui para o PIB, e um dos principais a movimentar a economia do país (pois gera riqueza para todos os níveis sociais, além de uma extensa cadeia como: cimento, material elétrico, vidraçarias, imobiliárias, movelaria, etc), ainda tem muito para crescer!
Motivos para atenção:
O ano de 2011 foi o pior ano para o mercado desde 2007, o principal motivo para a desaceleração foi que o período de 2011 foi de entrega dos primeiros empreendimentos das incorporadoras que se arriscaram na expansão do negocio, saindo de suas regiões de origem para se aventurarem em outras praças. Incentivadas pela grande demanda e falta de concorrência local, além dos grandes montantes obtidos pela abertura de bolsa, as incorporadoras sem exceção se depararam com uma falta de planejamento de crescimento de cidades como São Luís, onde não existe infraestrutura de saneamento básico a toda a cidade, lentidão do poder publico e ainda na distorção de seus planos de negócios, com isto tiveram problemas de atraso em obra: exemplos como a ABYARA que iniciou um projeto o Vitte, e com a crise financeira mundial foi vendida, e para a PDG que esta à um ano com a obra atrasada, ou o da Cyrela, que na época da venda garantia o prazo de entrega do Farol da Ilha, e apenas nesse mês esta concluindo a ultima fase do projeto que deveria ter sido entregue em julho de 2010. A casos ainda de incorporadoras que entregaram seus imóveis, porém estão enfrentando problemas com o saneamento dos condomínios, legalização do empreendimento e até falta de acabamento como é o caso do projeto Grand Park, incorporado pela Gafisa em parceira com a Franere.

Em todos os casos citados acima as incorporadoras pecaram pela falta de planejamento, de previsão de riscos, desconhecimento das legislações locais de cada região, e excesso de confiança. Tudo isso proporcionou ao mercado um excesso de desconfiança, ações de incorporadoras despencando no mercado da bolsa, investidores arredios e o pior uma grande dor de cabeça aos compradores, que hoje estão tendo que se readequar com a realidade de seus sonhos.
O importante é que o problema que o mercado esta enfrentando hoje, nem de longe tem haver com o enfrentado em 1999 quando a Encol, na época maior incorporadora da américa latina que estava em 69 cidades evaporou com o sonho e o dinheiro de mais de 42mil clientes. Hoje as leis são mais rigorosas e as politicas de credito para as incorporadoras (mais de 80% das obras em andamento no país recorrem a credito para a incorporação) exigem que as construções estejam sob regime de SPE ou Patrimônio de afetação, garantindo solvência por empreendimento.
A adequação do mercado em nada tem haver com os valores dos imóveis, que apesar de ter diminuído o ritmo de crescimento, ainda esta bem inferior aos dos seus vizinhos da américa latina, assim como também 3,5 vezes menor que os emergentes Russia e India, e com a mais valia de estar experimentando pela primeira vez a relevância de consumo em todas as classes.s
Não há risco de enfrentarmos uma crise como a enfrentada recentemente pelos Estados Unidos e Europa, onde a Bolha ainda esta deixando um gosto amargo para a economia mundial, por que as politicas de credito imobiliário ao mutuário no Brasil continuam bastante restritivas, a participação do crédito imobiliário no PIB brasileiro são irrisórios 5%. Acompanhado com um período de crescimento econômico e ascensão de classes.
Por tudo isso não é romântico dizer que o setor imobiliário ainda tem muitos anos de crescimento pela frente. O período de 2011/2012 servirá para empresas terem mais cuidados com seus consumidores, e entenderem definitivamente que não há demanda que passe por cima da falta de respeito e verdade causadas pela ganancia e despreparo dos construtores em detrimento de seus clientes. Essa lacuna abriu o mercado para novas propostas de empresas que já possuem experiências em mercados que hoje estão saturados, como o Europeu, que são solventes e enxergam os ganhos do setor que variam na media de 12% e são bastante atrativos. Estas empresas estão entrando no setor com empreendimentos pontuais em regiões especificas e com projetos diferenciados além de valores abaixo da media das grandes incorporadoras, como o caso da L&F incorporadora com o Ecodesign Calhau, empreendimento em uma área de mais de 20mil m² com 4 torres, e zonas de lazer que se agregam com preservação da natureza. Empresas como a Eztec ou a Helbor que já atuam a muito tempo no seguimento imobiliário e não quiseram expandir os negócios, também não estão sofrendo com mudanças do comportamento na entrega de seus produtos, ou como a Mota Machado que começou sua expansão antes da crise de mão de obra e de forma equilibrada e continua, hoje colhe também bons frutos com clientela fiel.
Agora é só esperar para ver as mudanças que os consumidores exigirão e aceitarão no mercado da Construção Civil.
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